Investimentos: 80% é mental

O aspecto psicológico representa 80% do sucesso nos investimentos, enquanto que o fator técnico representa 20%.

Costumo dizer que o sucesso nos investimentos depende de dois fatores: o fator técnico e o fator psicólogico. O aspecto psicológico representa 80% do sucesso enquanto que o fator técnico representa 20%. Abaixo abordo alguns aspectos do lado psicológico deixando o aspecto técnico para o próximo post.

O aspecto psicológico

As pessoas querem e buscam ferozmente um atalho para fazer dinheiro através de dicas. Acham que “corretores e amigos experts” possuem informação privilegiada. As pessoas precisam saber que uma carteira de investimento com sucesso no longo prazo é resultado de um bom processo, e o aspecto psicológico é imprescindível nesse jornada.

Nesse sentido, fico espantado com pessoas que estudam o histórico da performance de um fundo com 10 anos e, quando finalmente investem nele, saltam fora no primeiro mês negativo. O que está por trás disso é, precisamente, uma questão psicológica, não técnica.

Autoconhecimento

Bons investidores conhecem o seu próprio perfil. Seus investimentos estão em linha com seu contexto de vida, recursos e personalidade. Como você reagiria ao ver seu patrimônio diminuíndo em alguns poucos meses? Essa é uma pergunta fundamental para saber onde você deve colocar seu dinheiro.

O investimento precisa estar em linha com sua personalidade. Falta de autoconhecimento gera adrenalina, excitação e frustração. Por isso, devemos conhecer tudo o que pudermos sobre nós mesmos: aprender tudo sobre nossas fraquezas e pontos fortes. Uma vez que sabemos quem somos e qual é a nossa personalidade, podemos implementar e seguir um conjunto de regras que irão nos manter fora de perigo nos maus momentos e nos manter na posição correta nos bons tempos.

Você já respondeu um questionário para saber qual seu perfil de investidor? Até que ponto você se conhece? Sabe como reage às diferentes situações de mercado? Você tem uma regra/ordem nos investimentos ou investe de acordo com a vontade e a emoção?

O investidor como seu próprio inimigo

No conhecido cartoon de Walt Kelly, publicado em 1970 para comemorar o primeiro “Dia da Terra”, Porky Pine (um porco-espinho) inspeciona a enorme poluição do pântano e observa que “É muito difícil andar sobre toda esta tralha”. Mas, o que impressiona é a resposta de Pogo: “Sim, meu filho, nós encontramos o inimigo e somos nós”.

Na minha experiência, percebo que os investidores são verdadeiramente seus piores inimigos. O instinto natural da maioria dos investidores os leva diretamente e sem escalas para a opção errada com muita convicção.

No coração (núcleo) do tropeço do investidor está a tendência de se comprometer com um investimento logo após vê-lo com bom desempenho e, por fim liquidar o mesmo investimento após vê-lo com uma performance negativa no curto prazo. Tal decisão pode parecer natural e instintiva. No entanto, ela é geralmente equivocada.

Você já se deu conta de que a culpa dos seus investimentos não prosperarem é unicamente sua? Você costuma entrar em investimentos por afobação e sair por precipitação?

O estado mental dos investidores de sucesso

Pessoas bem-sucedidas também erram. Mas quando erram perdem pouco; quando acertam fazem muito.

Pessoas bem-sucedidas são persistentes. O foco, para além dos resultados, está no processo. Pessoas bem-sucedidas não tentam consertar o que não está quebrado pelo simples fato de não estar performando quando não deveria performar. Simplesmente aguardam até que o período seja favorável para o resultado positivo aparecer novamente. Pessoas bem-sucedidas se preparam para o pior e melhor cenário possível, e ajustam suas expectativas.

Quanto você pode perder quando está errado? Onde está o seu foco: no resultado ou no processo? Quanto você é capaz de perder?

O problema da impaciência

Ganhos e perdas fazem parte da vida. Esperar apenas lucros é como inspirar sem nunca expirar. É uma expectativa irreal.

Grande parte dos investidores se ocupam conferindo a variação do fundo diariamente. Na primeira queda, sacam. Resultado: a impaciência provavelmente o fez sair de um fundo vencedor. É necessária, ao contrário, uma visão de longo prazo, com expectativas reais.

Você está preparado para momentos de pequenas perdas? Com que frequência você acompanha seus investimentos? Você é daqueles que conferem os investimentos todos os dias ou a cada ano? Quanto você é capaz de esperar para os investimentos começarem a gerar resultados?

Sobrecarga de informação

O investidor, de maneira geral, engaja-se em uma atitude de autoaprimoramento. Ele assina jornais sobre finanças, revistas especializadas, newsletter de experts, sites sobre economia, etc. Começa o dia assistindo programas sobre negócios e termina o dia olhando o resumo das finanças, políticas e números do mercado; participa ativamente de seminários, fala com seu corretor, gestor ou consultor periodicamente; segue indicadores de mercado muitas vezes criados por ele mesmo; se transforma em uma "esponja" que absorve o máximo de informações possíveis.

Quando o mercado vai contra as suas posições, ele adiciona mais indicadores e olha para investimentos diferentes aos que ele já possui em sua carteira. E assim adiciona mais informação ao processo.

O problema é que as informações são conflitantes. Cada um fala uma coisa diferente. Quando um diz que é para comprar, o outro diz que é para vender. Quando um fala para investir em fundos multimercados, o outro fala que é hora de sacar deste tipo de aplicação. A newsletter do expert diz que é para fazer buy & hold. Isto gera um Analysis paralysis (Paralisia de análise).

O que acontece aqui é que o investidor gastou bastante tempo, estudou muito sobre investimentos e quase chegou ao ponto de ser um expert na linguagem, teorias e domínio dos veículos de investimentos. Só que não consegue se decidir devido a sobrecarga de informação. Poderíamos chamar isso de informação inútil.

Você é um obcecado por informações que possam abalar seus investimentos? Em que medida você se deixa influenciar pelos telejornais, revistas, internet, etc? Você consegue manter a confiança após uma notícia negativa?

Os jornalistas não são seus amigos

Jornalistas publicam exatamente o que o público quer ler. As ideias para as reportagens levam em conta a necessidade das pessoas se emocionarem. O gatilho das emoções é geralmente apertado de maneira a provocar os extremos emocionais: euforia e pânico. Leia artigos financeiros sempre com esta ideia em mente.

Jornalistas precisam ocupar espaço, mesmo que seja com assuntos irrelevantes. Você está consciente que jornalistas informam sem te levar em conta? Sabe que eles vivem de noticiar fatos poucos relevantes? Quem está por trás de suas opiniões travestidas de fatos? Seja crítico: não confie cegamente.

Vida pessoal

Nossa vida pessoal está intimamente ligada à performance de nossos investimentos. Separação, nascimento de filhos, ocupação, desregramentos, utopias exageradas: nossa vida pessoal influencia na performance dos investimentos.

Sim: o stress pessoal afeta nossos investimentos. Os problemas geram ansiedade, nervosismo descontrolado nas pessoas, o que faz com que o portfólio de investimentos vire o último recurso/colchão entre o padrão de vida (status) e a falência financeira. Neste caso, o investidor acabará por monitorar muito de perto seus investimentos, mas dominado pela emoção. Neste caso ele costuma pensar: meu portfólio precisa performar, caso contrario estou…

Estar bem na vida pessoal e profissional é imprescindível para o sucesso nos investimentos. Como anda sua vida pessoal e profissional? Você consegue fazer com que seus problemas não afetem consideravelmente seus investimentos?

No próximo post abordarei o aspecto técnico, que representa na minha opinião 20% do sucesso com investimentos.