Retirada estratégica.

Precisamos reconhecer quando estamos errados.

Luto constantemente para simplificar tudo que seja possível. Em um mundo cada vez mais complexo e incerto onde precisamos decidir com velocidade, precisão e frugalidade, ou seja, com o mínimo de informação possível, simplificar torna-se questão de sobrevivência. Separar o sinal (fato) do ruído (opinião) é chave. Simplificar é sinônimo de reduzir, descartar e eliminar. Focar no que realmente importa é mandatório.

Desde cedo a estratégia Trend Following chamou minha atenção devido a dois fatores: o conceito da assimetria positiva (cortar as perdas rapidamente e deixar os lucros rolarem) e o fato de usar somente uma informação: o preço. É através deste único input que as decisões são tomadas. O preço reflete e mostra objetivamente como o investidor interpreta todas as informações disponíveis, a análise fundamentalista, as notícias, as opiniões de experts e os relatórios econômicos. Em outras palavras: o preço é o consenso de todas as análises, interpretações, fatos e achismos naquele exato momento.

O que passa despercebido por muitos é um componente da assimetria positiva que precisa funcionar perfeitamente: o corte das perdas. Este componente é simples de entender porém dificil de executar. Reconhecer que estamos errados e agir sobre este fato é devastador para muitos egos. A última coisa que queremos é reconhecer que estamos errados. O especulador tem que se proteger contra perdas consideráveis, aceitando para isto suportar pequenas perdas. O aspecto psicológico na execução do plano é chave.

O que de fato significa “cortar as perdas rapidamente?” Os lucros podem tomar conta de si próprios, já as perdas não. Um exemplo: imagine que você compra uma ação a 40 reais e no dia seguinte ela cai para 39 reais apresentando uma perda de 1 real. Não poderá a mesma ação apresentar uma desvalorização de mais 3 reais no dia seguinte e mais 10 reais nas próximas semanas? Podemos racionalizar considerando que este movimento é meramente temporário, projetando que o preço da ação irá se recuperar no dia seguinte. É exatamente neste momento, onde a “esperança” de recuperação do preço aparece, onde a assimetria positiva entre em cheque. Com a falha em cortar as perdas rapidamente, estamos expondo nossa decisão ao fracasso. Caso não limitemos o downside, teremos uma assimetria negativa: mais a perder do que a ganhar.

Foi através das histórias contadas e previsões feitas por Wall Street que várias pessoas deixaram suas economias virarem pó. Enron, OGX e Kodak são os exemplos mas conhecidos de empresas que morreram e com elas o dinheiro de seus investidores.

É difícil pensar que 90% das empresas da Fortune 500 que existiam em 1955 morreram. Essas empresas faliram, se fundiram ou ainda existem, mas saíram da lista das 500 maiores empresas da Fortune. A maioria das empresas na lista em 1955 é hoje irreconhecível e esquecida. A medida em que a expectativa de vida das empresas continua diminuíndo, faz-se necessário sermos vigilantes nos nossos investimentos. Não temos como saber qual empresa continuará inovando. Não temos como saber qual empresa continuará agindo conforme as melhores práticas contábeis e com alto padrão moral.

Frente a estes fatos torna-se mandatório termos um plano para uma “retirada estratégica” para eliminarmos completamente a chance de termos uma grande perda. Este plano chama-se: Trend Following.

"Os elementos de uma boa operação são: (1) cortar as perdas, (2) cortar as perdas e (3) cortar as perdas. Se você puder seguir estas três regras, você pode ter uma chance." -Ed Seykota

Se acreditamos que não seja possível fazer previsões e que o mais importante para atingirmos nossos objetivos, é permanecermos vivos, então: cortemos as perdas, cortemos as perdas e cortemos as perdas.

Foto: Ed Seykota e Carlos em maio de 2005 (Reno, NV).